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60% das empresas espanholas não chegam aos cinco anos de vida. Apenas 0,03% das companhias têm mais de um século de história.

A PRATS, multinacional espanhola de fabrico de lentes oftálmicas, revelou num livro os segredos que permitiram à empresa chegar ao século de vida. E, como fecho de ouro do ano do centenário, que se cumpre precisamente agora, no mês de dezembro, a PRATS apresentou-o aos óticos em dois eventos que tiveram como cenário a Casa del Libro, nas suas sedes de Barcelona – Rambla de Cataluña – e Madrid – Gran Vía -.

Numa conversa interessante entre Francisco Prats Galino, administrador delegado e terceira geração à frente da empresa, e David Escamilla, editor e coautor do livro juntamente com Jordi Albert García, foram analisadas as chaves desta proposta editorial que, em última análise, são também as que resumem a história de 100 anos de sucesso da PRATS.

Os intervenientes partilharam com os cerca de duzentos óticos que assistiram a ambas as apresentações como, a partir da aposta na qualidade e no serviço, a família Prats conseguiu transformar uma pequena oficina numa multinacional, com presença em 22 países, quatro fábricas com um elevado nível de robotização, e mais uma — na Colômbia — que iniciará a sua atividade em 2025.

Antes das apresentações, Mauro Pellegrini, Global Sales Director e CMO do Grupo Prats, definiu o livro como “uma janela para o legado da empresa, que pode inspirar os óticos no seu trabalho diário”. A tertúlia centrou-se, fundamentalmente, no conceito que sintetiza o ADN da Prats: inovação e foco no cliente.

A inovação está na própria origem desta empresa, que começou em Más de las Matas (Teruel), em 1924. O seu fundador, Alberto Prats, investiu o excedente económico de um ano excelente no cultivo de pêssegos numa oficina de ótica. Viu nela um futuro como forma de se reinventar, face a um modelo de negócio demasiado sujeito à sazonalidade. “O ferreiro da aldeia fabricou algumas máquinas… O resto foi fruto do engenho e do espírito empresarial do meu avô. Ele sempre disse que aquela oficina não ganhou dinheiro, mas também não o perdeu. Por isso estamos hoje aqui”, assinalou Prats Galino.

E, embora tenha estado prestes a ser fuzilado na Guerra Civil, Alberto Prats conseguiu criar, em 1969, a empresa atual Industria de Óptica Prats S.L., sempre sob a premissa da inovação, o grande valor da companhia. Prats Galino recordou, como exemplo, que a PRATS foi “um dos primeiros fabricantes europeus, e dos primeiros no mundo depois dos americanos, a fabricar lentes tóricas por face interna”.

No entanto, o livro não é um monográfico da Prats. Pelo contrário, transmite a inovação de tantas outras companhias, nacionais e internacionais, a qualquer pessoa que tenha interesse em crescer através de cem aprendizagens, uma por cada um dos anos que a Prats cumpre em 2024. Assim, a obra compila conhecimentos e experiências que podem ajudar empreendedores, empresários e empresas a fazer crescer as suas companhias e a mantê-las vivas durante muito tempo. “É uma grande síntese do que significa este conceito em diferentes países e aplicada a empresas de múltiplos setores”, explicou Escamilla.

Por sua vez, Prats Galino afirmou que “a aposta na inovação, na qualidade e no serviço ao cliente são valores que quem faz parte da equipa da Prats tem de ter interiorizados”, ao mesmo tempo que se mostrou confiante de que “os que vierem a seguir o façam ainda melhor do que nós”.

São estes valores que permitiram que o desenvolvimento tecnológico esteja, por completo, in house. A PRATS desenvolveu um modelo integral, propriedade intelectual da companhia, para a gestão, o cálculo e a produção de lentes oftálmicas, que permite aumentar a sua qualidade ótica para o utilizador e reduzir a 0% os erros de fabrico. “Fazemos tudo com pessoas da casa. Isto nota-se muito no design dos progressivos. Salvo os gigantes do setor, os restantes compram os designs dos progressivos a outros. Nós não dependemos de ninguém”, explicou Francisco Prats, destacando assim a razão pela qual a multinacional espanhola compete hoje, sem complexos, com os grandes fabricantes mundiais.

Nas duas apresentações, Madrid e Barcelona, Francisco Prats falou também de outro grande valor que faz parte da essência da Prats: o seu inconformismo. “Por muito bem que as coisas corram, por mais depurado que esteja um processo, nunca estamos 100% satisfeitos. Mantemos um certo grau de insatisfação permanente, bem como a ideia de que podemos melhorar. Se há algo que eu, o meu pai e o meu avô temos em comum, é o facto de sabermos que qualquer coisa pode sempre ser feita melhor”, explicou o atual administrador delegado. O alto grau de robotização de todas as fábricas da Prats, igualmente de design próprio, é a consequência deste inconformismo para minimizar erros.

Todos os assistentes puderam obter um exemplar do livro. E muitos deles esperaram pacientemente que Francisco Prats o dedicasse, para colocar um ponto final num ano de agradecimento da multinacional espanhola aos óticos que, graças à sua confiança, a tornaram no que é hoje.

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